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FRATI na revista Portos e Navios

Cabos navais

Fornecedoras e fabricantes devem fechar o ano com resultados superiores a 2008 e já se preparam para aumento da demanda

Empresas que fabricam e comercializam cabos e cordoalhas já se preparam para um possível aumento da demanda em decorrência das novas encomendas de embarcações da Transpetro e do provável crescimento da demanda devido à exploração de petróleo na camada pré-sal. Além de ampliar a produção e a importação de equipamentos de fabricantes internacionais, já há quem estude a abertura de filiais no estado do Rio de Janeiro, para ficar mais próximo do principal mercado offshore do país.

A Akti, empresa do grupo H. Dantas, é uma das que deve ampliar as encomendas a fabricantes internacionais. A empresa é representante no Brasil dos principais fabricantes de cabos de fibra e aço da Coreia do Sul e fornece cabos de fibra sintética de polipropileno, polietileno, poliéster e poliamida (nylon) para diversas aplicações. Entre os produtos que comercializa estão o cabo de polipropileno de alta tenacidade e os lançamentos Flex – 12 pernas e Supermax, únicos no Brasil fabricados com uma composição de fibras com tecnologia “Dyneema”, que possui força de tração similar ao cabo de aço.

“O mercado está muito aquecido, estamos fornecendo para grandes corporações e continuamos a nos aproximar de muitas outras que até então só compravam com os fornecedores antigos, por essa razão já temos encomendas com nossos representados de aproximadamente 100 toneladas de cabos ainda para 2009”, disse o diretor comercial da empresa, Luiz Gomes. Em 2008, as encomendas ficaram entre 60 e 70 toneladas. Parte do otimismo se deve às vendas em 2009. Segundo Gomes, a Akti já comercializou um volume 10% superior em relação ao ano passado desde janeiro e aumentou em dois pontos percentuais seu market share.

Embora não fale em números, a Frati também trabalha com a expectativa de aumento das encomendas. A empresa importa equipamentos da China e conta com o início da exploração da camada pré-sal para ampliar sua participação no mercado, explica o gerente Tiago Martinez. “Atendemos mais a parte offshore, a parte naval nem tanto. Nossa expectativa de crescimento fica por conta do pré-sal, acreditamos que será possível dobrar a demanda que temos hoje. Estamos buscando novos fornecedores, vamos aumentar nossas instalações e estamos estudando abrir uma filial (no Rio de Janeiro)”, afirma.

A Cimaf é uma das empresas que mais ampliou sua produção. A empresa fabrica e fornece para a Petrobras cabos galvanizados extragrossos, de construção 6 x 47 e 6 x 61 – usados para linha de Workwire e Ancoragem de Plataformas –; cabos convencionais 6 x 25 e 6 x 41, para movimentação de cargas; e cabos de alta performance resistentes a rotação para guindastes e baleeiras. Em 2008, sua produção média foi de 200 toneladas por mês, e deve encerrar 2009 com média de 1800 toneladas por mês. Para 2010, no entanto, ainda não há previsão. “Necessitamos de um melhor estudo de mercado, pois este crescimento ainda é nebuloso. Trabalhamos com uma perspectiva de aumento de fornecimento, porém uma exigência maior de tecnologia”, afirma André Tambellini, gerente de vendas e marketing da Belgo Bekaert Arames, sócia da fabricante de cabos Cimaf.

Já a Eurosul, que importa e comercializa cabos de polipropileno, poliamida e mistos de alta tenacidade da Índia, Coreia, Cingapura e China, certificados por sociedades como Lloyds Register, Germanischer Lloyds, DNV e ABS, conta com crescimento de 30% no faturamento em 2009. No ano passado, quando comercializou o equivalente a 120 toneladas de produtos, os resultados já haviam superado em 5% o ano anterior. Somente a venda de cabos representou 5% do total. Apesar dos bons resultados e da expectativa de crescimento no faturamento, o diretor Carlos Lizott não demonstra muito otimismo quanto à possível expansão do mercado e informa que a empresa deve seguir comercializando entre 100 e 150 toneladas na área de cabos navais. Lizott demonstra cautela quanto às expectativas de aumento das encomendas devido ao programa de renovação da frota da Transpetro. “A Transpetro e a Petrobras têm oferecido um mundo de sonhos que no momento não está se concretizando, e portanto só nos baseamos na necessidade do mercado. No momento, não pretendemos investir em novos equipamentos ou na ampliação das encomendas”, diz Lizott.

Segundo ele, a meta da Eurosul é a “expansão sem risco”. Lizott atribui a cautela ao mercado e às constantes mudanças nos marcos legais, como as referentes à exploração dos blocos do pré-sal. “No Brasil, não dá para pensar em um futuro muito distante, pois não temos regras econômicas garantidas: elas podem mudar a qualquer momento, dificultando e obrigando a empresa sempre estar com um ou dois pés atrás para não ter surpresas”, critica.

Embora nem todos demonstrem o mesmo otimismo, há um consenso de que os efeitos da crise financeira mundial já foram deixados para trás. A Akti, por exemplo, sofreu redução entre 30% e 40% nas vendas no período entre setembro do ano passado e o mesmo mês de 2009. “Apesar de o principal mercado para o qual fornecemos, o segmento naval e offshore, ter navegado na contramão da crise, não podemos dizer que a crise não afetou nossos negócios. Todos frearam de alguma forma seus gastos, e é claro que isso causou impacto nas vendas, mas no final do terceiro trimestre de 2009 a rotatividade dos negócios começou a retomar e o cenário foi voltando à sua normalidade, estando hoje com ‘ventos’ soprando a todo vapor”, comenta Luiz Gomes.

Para garantir uma participação maior no mercado, a Akti está trabalhando para obter, até o fim deste ano, certificação para o Sistema de Gestão de Qualidade ISO 9001, além de expandir sua atuação para novos mercados. “Além dos cabos de fibra, temos sim, projetos para outros mercados. A médio prazo, a Akti vai colocar em prática projetos de novos produtos, ampliando e atendendo a solicitação de muitos clientes. Cabo de aço, por exemplo, é um dos produtos com forte tendência de expansão, já estamos comercializando dentro do próprio grupo H. Dantas e logo estaremos fornecendo para nossos demais clientes”, afirma Gomes.

Entre os desafios que as empresas esperam enfrentar está o fornecimento de cabos mais resistentes, para atender às necessidades da exploração de petróleo e navegação em águas profundas na área do pré-sal. “Com certeza, o pré-sal exigirá novas tecnologias, devido ao ambiente inóspito e à profundidade da extração. Em nossa área estão surgindo novas fibras produzidas por meio de nanotecnologia que são mais leves e mais resistentes que o equivalente em cabos de amarração e cabos de aço, com um preço competitivo, e talvez até melhor do qual ocupara algumas áreas de uso, mas nunca substituirão os existentes em outras. Mas isto deve ocorrer a partir de 2010, o que também vai colaborar muito nas necessidades técnicas do pré-sal”, afirma Lizott.

Mesmo atento às promessa de grandes investimentos, Luiz Gomes alerta para as condições pouco favoráveis para os fabricantes nacionais em termos de competição. O gerente comercial da Akti não acredita que haverá exclusividade ou favorecimento a fornecedores nacionais para as novas encomendas da Transpetro e da Petrobras, e aposta em uma competição acirrada com fornecedores estrangeiros que, para ele, contam com condições mais favoráveis.

“Tanto a Petrobras e a Transpetro como muitas outras companhias conhecem a qualidade de muitos produtos de fora e já buscam e compram produtos de empresas estrangeiras. Não que o produto interno não tenha qualidade, mas o custo Brasil ainda é proibitivo, e a indústria nacional ainda não consegue acompanhar a velocidade que a globalização exige dos mercados. Por essa razão, os produtos estrangeiros, além de certificados por renomadas classificadoras e possuírem qualidade à altura do brasileiro, já disputam o mercado com boa participação, bem como cresce sua aceitação e consumo”, diz.

Tambellini evita falar em números, mas garante que a Cimaf tem condições de ampliar sua produção. Parte da cautela se deve aos motivos expostos por Gomes. “Não existe nenhuma garantia de mercado (nas novas encomendas da Transpetro e Petrobras). A maioria das empresas que atuam neste mercado são estrangeiras”, garante.


Fonte: http://www.portosenavios.com.br/?r&150208&ver_report&585&edit_sec=2628&mat_sec=1339





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